Coração de instrutor Udemy

Porque a vida de instrutor Udemy é muito mais do que criar conteúdo, editar vídeos, se gabar do faturamento mensal e se lamentar das avaliações injustas, hoje quero tocar no coração de quem ainda não se tornou um instrutor de cursos online!

Hoje pela manhã, no caminho para meu trabalho offline (coordeno um projeto de formação visando o empoderamento de mães estrangeiras aqui na Alemanha e faço um trajeto diário de 28 minutos de ônibus o que me deixa um tempinho para ler o que realmente quero ler) li uma entrevista com o fisólofo francês Alain Finkielkraut onde ele dizia:

O que devemos pedir é um coração inteligente. Devemos pedir para alcançar a graça de um coração inteligente. Hoje, mais do que nunca.

>> a entrevista completa você encontra AQUI

Na entrevista e no seu livro  “Um coração inteligente” (Civilização Brasileira) ele fala sobre a necessidade de (re)unirmos a inteligência funcional e as emoções abstratas. Segundo ele, razão e emoção não podem ficar separadas se quisermos viver em equilíbrio. Autoajuda barata, você pode estar pensando… autoajuda poética, eu diria! Na minha opinião, mais válida do que (quase) tudo no mundo.

E ele explica:

“Coração e inteligência devem voltar a se falar. O perigo que corremos não está na falta completa de um ou da outra, mas em seu divórcio: se coração e inteligência vão cada um por um lado, os efeitos são devastadores.

O século 20 demonstrou isso promovendo, por um lado, uma inteligência puramente funcional, de burocratas, e, por outro, um sentimentalismo indiferente à pessoa concreta. Todos nós já vimos o que a ideologia pode fazer: ao propor extirpar o mal, imobiliza o coração. Como descreve muito bem Vasily Grossman, chegou-se a odiar em nome do amor. É particularmente urgente a necessidade de um coração inteligente à medida que vamos saindo desta época.”

Mas, o que o coração inteligente do Finkielkraut tem em comum com o coração de instrutor Udemy?

Se nós substituimos a inteligência puramente funcional e também o sentimentalismo indiferente à pessoa, citamos acima por Finkielkraut, pelos “gurus” da internet e suas fórmulas mágicas para vender cursos online podemos identificar muito bem o coração inteligente que nos acompanha ou não.

Eles, os gurus da internet, também usam (abusam e extrapolam) do sentimentalismo com histórias mirabolantes de sucesso extraordinário saindo do nada, a vulga “jornada do herói” no jargão do marketing digital.

Constroem discursos “persuasivos”, carregados dos famosos “gatilhos mentais”, num sentimentalismo completamente indiferente à pessoa. Somente a venda (de cursos online com preços exorbitantes) conta. Somente o lucro conta e nada mais tem importância!

Não tem importância se a pessoa envolvida nesse discurso sentimentalista está prestes a empenhar todas as suas economias para se matricular em um curso. Não tem importância se o que foi prometido na “carta de vendas milagrosa” não será entregue durante o curso. Não tem importância, não tem importância, nada tem importância!

Talvez por isso esses gurus sejam chamados de “infoprodutores” (para continuar usando o jargão do empreendedorismo digital) e não de professores, de instrutores.

Desde que eu comecei a empreender online, tenho, é claro, me preocupado muito com questões como marketing e vendas. Quando nos propomos a empreender, nos propomos também a gerar receita, é claro! Empreendimento sem lucro é somente um hobby, certo?

E, como muitas pessoas que estão começando, me envolvi e me encantei com histórias de empreendedores digitais faturando alto na internet. Quem não gostaria de sair “do ZERO” para alcançar seus primeiros milhões?

Eu nunca investi em um desses cursos caríssimos mas passei sim a acompanhar alguns desses gurus. O que pude constatar é que eles não respeitam a tênue linha que separa os conceitos de persuasão e manipulação. Não vou me alongar nessa discussão pois já escrevi bastante sobre isso… se você se interessa por esse assunto, pode ir diretamente no meu blog, vou ficar muito feliz se você deixar seu comentário e me ajudar nessa reflexão.

Quando eu lancei meu primeiro curso na Udemy, o Webinar Express, lembro de ter recebido uma mensagem de uma aluna que me dizia o seguinte:

Parabéns Leila! Seu curso é ótimo e a página de inscrição não está cheia de “gatilhos mentais”!

Me lembro bem do quanto fiquei feliz em receber esta mensagem…

Eu não sou contra o uso de estratégias de marketing e de vendas, como já falei, todos precisamos gerar lucro, gerar receita com nossos cursos… mas, o dia em que eu precisar apelar por discursinhos baratos, o dia em que eu precisar apelar para o sentimentalismo para “conquistar” mais alunos, o dia em que a receita gerada pelos meus curso for mais importante do que meus alunos e a qualidade dos meus cursos em si, então, eu não vou mais criar cursos online.

Quando questionado:

“O senhor vê alguma via de saída para esta situação que descreve?”

Finkielkraut responde:

“A educação. É a única salvação.”

E alguém pode contestar esta resposta?

Eu, pessoalmente, acredito na educação! Acredito na educação a distância como forma de democratizar o conhecimento e acredito que para isso, precisamos de mais professores, de mais instrutores, de mais corações inteligentes e de menos “burocratas”. Acredito na geração de renda sim com cursos online, mas acredito que só poderemos contribuir para esta “salvação” se oferecermos cursos online de qualidade a preços acessíveis para todos. Caso contrário, como vamos realmente contribuir? Com o quê vamos realmente contribuir?

Quando sou questionada e até criticada por oferecer meus cursos a “preço de banana” na Udemy, só me vem uma resposta na cabeça: foi exatamente por isso que eu escolhi a Udemy. Eu quero sim, que qualquer pessoa que tenha 25 Reais disponíveis possa participar de um dos meus cursos e não quero nunca arrancar as economias de alguém.

Depois de ter ajudado uma mãe turca a encontrar duas ofertas de trabalho e a se candidatar para elas, no meu ônibus de volta para casa, encontro este post do Marcelo Vieira no nosso grupo de instrutores Udemy:

Dá para duvidar do poder da educação e da força de um coração inteligente?

Acredito que não! mas vou deixar você pensar direitinho no assunto!

Para conhecer melhor o trabalho do Marcelo, basta clicar na imagem para ser redirecionado:

Marcelo Xavier Vieira

Mas e você? No que você acredita? Deixe seu comentário:

Ps.1 – Ao descer do ônibus, minha mentee (a mãe turca) me liga: “Frau Adriano! Nem estou acreditando! Já recebi um telefonema e amanhã já tenho uma entrevista!”

Ps.2 – O resultado da entrevista eu conto na semana que vem, ok?

 

 

About the Author

Leila Adriano Ostoyke é Professora, Empreendedora Digital e Instrutora Udemy.

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Glaucio - April 20, 2017 Reply

Olá Leila, que matéria excelente, concordo, o nosso prazer de ensinar e obter o melhor dos alunos é o nosso verdadeiro pagamento. Penso que o valor mais acessível que cobramos por cursos valiosos são uma forma de financiar nosso trabalho mas sempre procuro me lembrar que não é o nosso objetivo principal.

Se eu me esquecer disso, ou desviar o foco pensando em lucros, perdemos o que somos em essência, professores.

Obrigado pela matéria Leila, grande abraço!

Thiago - September 26, 2017 Reply

Bom texto ! Só uma ressalva : no início do texto, está escrito “trageto”. O certo seria “trajeto”.

Abraço !

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